. O racismo nosso de cada dia não pode ser nosso pão

O racismo nosso de cada dia não pode ser nosso pão


Foto:Matt Barnes




Até quando vamos tolerar o racismo? Até quando teremos que ver o aparato de segurança pública dar tapas nas caras dos jovens negros das comunidades brasileiras? Até quando veremos imigrantes negros sendo assassinados na Europa? Até quando os negros não terão seus lugares devidamente reconhecidos? Até quando veremos imagens de um policial branco dominar um homem negro e com o joelho no pescoço e  com a sua mão  na coxa pousa para fotos? O policial não só demonstrou a barbárie, mas representou também o culto a barbárie que tanto homenageamos.  Afinal, para ele, aquela prática seria tolerável pela população. Até quando? 
Tomemos cuidados, querem no Brasil criar uma excludente de ilicitude  voltada à polícia.  Espero que criem o direito de cada brasileiro demostrar livremente o seu credo; estar feliz com sua raça e o direito a ser bonito. Não é a cor que define beleza, são os nossos olhos viciados da barbárie que a define. Infelizmente! Não é o Estado policialesco que queremos, mas o Estado garantidor de diretos e de obrigações recíprocas entre pobres e ricos, negros e brancos. Garantidor de minorias.
Confesso-lhes que  eu não queria falar em racismo, em injuria racial em discriminações negativas. Os dias estão difíceis, mas  os dominadores não colaboram, pelo contrário, escarneiam. Em nome da lei do abuso de autoridade, o aparato de segurança não mostra o rosto da Sinhá Branca, que deixou o filho de 05 anos de sua empregada doméstica entrar no elevador de um prédio residencial. Imagino que, se fosse o filho da  sua patroa, por excelência  de classe média e branca, a  empregada doméstica tinha grande probabilidade de estar presa. Afinal, a presunção de inocência nesse País esteve ligada a determinados grupos. Não pense você que esteve associada aos pretos, as putas e aos pobres. Só lamento! Eu, em nome da vida e do Estado, prenderia a empregada. Claro,  vamos reproduzindo as marcas da opressão, utilizando e forjando demarcadores. 
As brechas das leis vão se abrindo de acordo com a cor da pessoa que está sob investigação. Quem sou eu para dizer que a Sinhá não tem direito a ampla defesa e ao contraditório?  Ser branco e fazer parte da classe média favorecem na hora de pagar os valores indicados da fiança. 
A estrutura dos bem nascidos se perpetuam nas famílias e nas relações que vão se estabelecendo.  Afinal, quando vamos casar sempre tem um pacto antenupcial para celebrar e indicar qual será o regime de bens.  Mas minha mãe insiste em dizer que é puro amor...  mas eu acho  mesmo que é pura ironia de minha mãe. Por falar em casamento, as famílias ficam acesas e nem sempre as bençãos para o casal formado de pessoa branca com pessoa negra recebe a empatia dos familiares.
Para não abusar de suas paciências, pergunto-lhe meu amigo e estendo o questionamento a minha estimada amiga, que tanto amo: até quando vamos tolerar o racismo e com ele a possibilidade de tão somente ser compelido pela via institucional? Nobres cidadãos brasileiros, lamento informar, o racismo se estruturou de tal forma que o Estado nega em ser racista, mas tolera práticas racistas. Não à toa que o racismo institucional tem se lastreado historicamente e formatado a concepção do Estado – nação brasileiro. Basta! Um outro Brasil tem que ser possível.


Por: Efson Lima

Efson Lima







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